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Os materiais coletados devem ser acondicionados em campo da forma mais adequada, para que possam manter-se viáveis por toda a viagem. Há necessidade de checar periodicamente o estado dos materiais vegetais. Alguns cuidados e procedimentos corriqueiros de acordo com Walter e Cavalcanti (2005a) são:
• Checar as amostras de sementes, os materiais vegetativos e os vouchers de herbário em períodos regulares, verificando possíveis ataques de pragas ou doenças. Se for o caso, desinfetar as amostras.
• Para incrementar o processo de secagem de amostras de sementes, ou outro material, pode-se colocar nelas pequena quantidade de sílica-gel. Se as amostras estiverem secando ativamente, deve-se trocar a sílica, retirando aquela parte do material que já estiver com os teores de umidade desejados.
• Rotineiramente, amostras de frutos frescos acondicionados em sacos plásticos devem ser arejadas para evitar podridões. Amostras de orquídeas bulbosas devem ser acondicionadas, preferencialmente, em sacos de pano ou caixas, também devendo ser periodicamente checadas e, se preciso, umedecidas.
• Regar o germoplasma coletado na forma de mudas, em periodicidade que garanta segurança.
• Enviar de alguma forma, para o destino programado, germoplasma frágil, ou que possa não suportar todo o período e as condições adversas da expedição.
• Acondicionar o germoplasma no veículo de transporte da maneira mais segura, cabendo-lhes os locais onde nenhuma carga possa cair sobre eles, danificando-os.
• Realizar diariamente os processos de herborização das amostras para herbário.

No caso de animais, deve-se verificar:
• A integridade do botijão criogênico onde serão armazenadas as amostras.
• A quantidade de nitrogênio líquido compatível com a realização das atividades de criopreservação e tempo de manutenção das amostras.
• O adequado funcionamento dos equipamentos necessários para a coleta e o processamento do material.
• As condições de transporte do material, com segurança, do local de coleta até a cidade de onde o material será enviado ao banco genético.

Como identificar centros de origem ou centros de diversidade das espécies-alvo para coleta?
A identificação tradicional de centros de origem e, principalmente, dos centros de diversidade é feita com base na detecção de regiões em que se verifique uma concentração significativa de espécies do gênero. Portanto, na prática, o que se faz é localizar áreas onde se encontra maior número de espécies no gênero.

Como definir limites das populações para coleta de plantas?
Para plantas cultivadas, é mais fácil definir os limites de uma população nos agroecossistemas de acordo com a espécie a ser coletada e sua distribuição nos plantios. Para espécies silvestres, e também para muitos casos de plantas cultivadas, há vários critérios subjetivos para definir a área de coleta, segundo Balick (1989), Guarino et al. (1995), Walter e Cavalcanti (2005b) e Walter et al. (2005). Os principais critérios são:

• Diferenças nas culturas, tais como mudanças nas variedades, maturidade e incidência ou não de doenças ou pragas.
• Mudanças nas condições ecológicas, agrícolas ou sociais, tais como a presença ou ausência de irrigação, mudanças nas práticas de fertilização e manejo da terra, métodos de cultivo, tipo de solo.
• Ocorrência de divisões topográficas ou sociais, tais como montanhas ou rios largos dividindo áreas; o lado norte ou sul de uma grande montanha; o topo e a base de uma montanha, onde não haja um continuum; planaltos versus vales; diferentes comunidades humanas locais (manejo diferente das culturas), vilas ou municípios de uma região.
• Diferenças ecológicas ou fitofisionômicas naturais, com mudanças na densidade das comunidades, variações de solo ou drenagem, como áreas secas versus úmidas.
• Mudanças a cada 10 km ou 20 km, de acordo com a natureza do terreno (Bennet, 1970).
Na prática são esses critérios que os coletores usam para diferenciar populações e delimitar seus acessos, ainda que isso não garanta nenhuma barreira biológica efetiva entre as populações. Créditos Embrapa.

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