Os parentes a que Deus se refere para Abraão, que ele deveria deixar para trás, não eram aqueles que estavam sob a tutela de seu pai Terá, mais aqueles que eram capazes de influenciá-los deixar o que ele havia aprendido de seu pai, e dos demais ancestrais de Noé. Pois Abrão, detinha forte influência da doutrina e dos hábitos deixados por Noé aos seus descendentes. Então vejamos. Ao observarmos, aos hábitos e costumes patriarcais, embora eles fossem homens que apresentavam certa rigidez no contexto familiar, mas eles eram obrigados agir assim, por conta da cultura do homem natural. Ou seja, ele era menos civilizado do que o contemporâneo. Caso o patriarca não agisse assim, ninguém lhe respeitava. Mas essa rigidez fazia deles homens compromissados com os princípios que aprenderam de seus ancestrais. E em se falando de Abraão, como era o primogênito de seu pai Terá, qualquer irmão, sobrinho, servo ou serva na ausência do pai ele estava na obrigação de assumir toda responsabilidade deixada pelo pai. Traduzindo: Abrão não errou em levar seu sobrinho Ló, para a terra de Canaã. Caso ele tivesse abandonado seu sobrinha jamais ele estaria qualificado como nosso pai na fé, pois Ló era uma cruz que ele não podia largar em Harã.
1.1. As responsabilidades de Abraão como primogênito de seu pai Terá
É de nosso conhecimento que desde tempos remotos, foi adotado um costume tradicional entre os semitas, que o filho mais velho assumisse todas responsabilidades do pai, caso ela não violasse os princípios e os mandamentos de seus ancestrais (Gn 11:27). Ele consistia em uma nomenclatura conhecida como princípio da primogenitura, que era uma norma de sucessão, com raízes históricas profundas no contexto bíblico dos ancestrais semitas. Esse costume patriarcal, dava concessão ou conferia ao primeiro filho (primogênito) os direitos, privilégios e responsabilidades superiores a todo clã da patriarcal. Dizendo de outra forma: o filho mais velho gozava ou herdava os títulos e autoridade do pai após sua morte. Vejamos.
1.1.1 Líder espiritual de todo clã familiar
O herdeiro da primogenitura assumia o governo da família e, em contextos bíblicos, a responsabilidade de passar a bênção e os princípios divinos para as próximas gerações. Essa transferência, era conhecida como: a “Bênção da Mão Direita”: que era a transferência desse direito mediante o uso da doutrina da imposição de mãos, simbolizando a transmissão da autoridade familiar. (Dt 21:17); Cl 1:15). Foi baseado nesse costume, humano, que Deus transferiu a bênção a seu filho Jesus, para que o homem entendesse Sua soberana vontade. Essa transferência, simbolizava a posição de primazia, honra e autoridade máxima sobre toda a criação ao Messias.
1.2.2 Juiz na solução de situações problemas dos litigantes e repartidor de herança de toda clã;
1.3.3 Direitos de herança em dobro dos bens materiais do pai (Dt 21:17);
1.4.4 E em quarto e último lugar, como chefe político de toda dinastia.
A transferência de todos esses privilégios eram feitos mediante a proclamação do detentor de todos esses privilégios, no caso aqui, era Isaque. Geralmente isso era feito em um momento solene onde toda família estava reunida. Mas no caso da transferência da bênção para Jacó, aconteceu quando Isaque já estava com sua saúde bem fragilizada, mas ainda encontrou forças suficientes para fazer a transferência de todo seu legado a Isaque como seu herdeiro legítimo.
