As estratégias e os procedimentos de coleta variam de espécie para espécie, de produto para produto (Walter, 2010). Desse modo, não existe um procedimento único, universal, aplicável
a qualquer situação que necessite de coleta. Exemplificando, a demanda na coleta de uma espécie florestal é muito diferente das demandas para espécies herbáceas. As primeiras são plantas altas, perenes, com ciclos reprodutivos que podem ser longos, enquanto espécies herbáceas são baixas, podem ser anuais, com períodos de reprodução mais curtos.
É possível agrupar artificialmente as espécies em conjuntos com características similares (produtos), cujos princípios básicos de coleta seguem alguns padrões. Os exemplos anteriores, “florestais perenes” e “herbáceas anuais”, são dois desses grupos. Outros incluem plantas cultivadas ou parentes silvestres; germoplasma nativo ou exótico; plantas de propagação vegetativa ou com reprodução sexuada (sementes); entre outros. Grupos tradicionalmente utilizados para unir produtos baseiam-se no seu uso principal e reúnem as espécies em classes como alimentícias, corantes, condimentares, florestais, forrageiras, fruteiras, laticíferas, medicinais, oleaginosas, ornamentais, palmeiras, raízes e tubérculos, e até mesmo classes heterogêneas como plantas destinadas à recuperação de áreas degradadas. É fundamental que o coletor esteja no campo exatamente na época de produção do germoplasma a ser coletado.
Em um país continental como o Brasil e que possui diferentes biomas, além das características intrínsecas da espécie visada, a região onde as plantas ocorrem definirá uma série de questões logísticas. Para acessar plantas nos principais biomas brasileiros, como o Cerrado, a Caatinga ou os Pampas, uma caminhonete com tração nas quatro rodas geralmente é o veículo mais adequado. Na Amazônia, para a maioria dos produtos nativos, é imprescindível que se conte com barcos como meio de transporte. Créditos Embrapa.
