0 Comments

O que é conservação ex situ?
É uma estratégia de conservação de componentes da biodiversidade ou de recursos genéticos animal, vegetal e microbiano fora de seu habitat natural, ou seja, sua manutenção é realizada em condições artificiais na forma de bancos de germoplasma vegetal, banco de germoplasma animal e coleções de microrganismos.

Por que fazer a conservação ex situ?
A conservação ex situ é uma alternativa para diminuir a perda contínua de recursos genéticos em razão de pressões de seleção naturais e artificiais. Considerando as múltiplas pressões sobre o meio ambiente, a destruição e fragmentação de habitats, bem como os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre os recursos genéticos, a conservação ex situ torna-se uma estratégia importante de conservação, uma vez que resgata, conserva e disponibiliza o germoplasma para uso futuro, em ações de recuperação de habitats, reintroduções de espécies e em programas de melhoramento genético. Existe uma crescente conscientização mundial acerca da necessidade de preservação dos recursos genéticos, que são essenciais para o atendimento das demandas de variabilidade genética dos programas de melhoramento, principalmente aqueles voltados para a alimentação. No Brasil, essa necessidade é ainda mais importante, uma vez que a maioria dos cultivos que compõem a base alimentar do País é de origem exótica. Além disso, o agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, e as bases que sustentam esse pilar são os chamados recursos genéticos. Portanto, a manutenção e o enriquecimento contínuos da variabilidade genética das coleções são prioritários e estratégicos.

Qual a importância que a Embrapa tem dado à conservação ex situ de recursos genéticos?
A Embrapa tem dado grande importância à conservação dos recursos genéticos, o que pode ser visto pela sucessão de programas de pesquisa já criados, bem como pela grande quantidade de bancos de germoplasma estabelecidos. Atualmente, a Embrapa conta com 148 bancos de germoplasma vegetal em 28 Unidades Descentralizadas, 1 banco de germoplasma animal e 25 coleções de microrganismos distribuídos em 17 Unidades Descentralizadas. Outra iniciativa importante da Embrapa na conservação ex situ foi a criação do banco genético (BGen), que reúne, em uma única estrutura, coleções de base de germoplasma animal e vegetal ou coleções back-up de microrganismos da Embrapa e de instituições parceiras. Na área de microrganismos, a Embrapa também tem atuação importante na organização dos centros de recursos biológicos (CRBs) na temática do Agronegócio.

Qual é a diferença entre conservação ex situ e in situ? Essas modalidades de conservação são complementares?
A conservação ex situ significa a conservação dos componentes da diversidade biológica fora de seus habitats naturais, enquanto a conservação in situ significa a conservação dos ecossistemas e habitats naturais e a manutenção e recuperação de populações viáveis de espécies em seus ambientes naturais e, no caso de espécies domesticadas ou cultivadas, nos ambientes onde elas se adaptaram. Nenhuma estratégia sozinha pode responder pela adequada conservação, e, como ambas são complementares, devem ser utilizadas em conjunto para o sucesso da conservação (Nass, 2007).

Quais são as vantagens e desvantagens da conservação ex situ?
As vantagens são (Brasil, 2017):
• Custos para a conservação ex situ menores e centralizados quando comparados com a conservação in situ, permitindo um manejo mais eficiente da coleção.
• Possibilidade de preservação de genes por séculos e de agrupar material genético de muitas procedências em um só local.
• Facilidade de obtenção de acessos pelo melhorista e possibilidade de intercâmbio de germoplasma.
• Melhor proteção à diversidade intraespecífica, especialmente de espécies de ampla distribuição geográfica.
• Maior segurança do germoplasma quanto a desastres naturais e conservação de material genético resgatado de áreas sob impacto antrópico.

As desvantagens são:
• Certos tipos de germoplasma não prontamente utilizáveis.
• Regeneração laboriosa e com custos elevados.
• Muitas coleções pouco documentadas, organizadas e caracterizadas.
• Interrupção do processo evolutivo da espécie caso não sejam realizadas coletas periódicas (Brasil, 2017).

A manutenção de coleções ex situ é suficiente para garantir a conservação da variabilidade genética de uma determinada espécie?
Em teoria sim, mas na prática é um objetivo que demanda várias ações coordenadas ao longo do tempo. As coleções ex situ têm um papel muito importante para conservar as principais espécies para alimentação e agricultura, bem como espécies ameaçadas de extinção. Porém, é reconhecido que a conservação in situ também tem grande importância para conservação da variabilidade genética, visto que pode conservar um número muito maior de espécies e mantém constantes os processos evolutivos. Créditos Embrapa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Documentos relacionados